22 de setembro de 2008

Como já disse há algum tempo, sou muito mais sensorial que espiritual. Acredito naquilo que posso ver, ouvir, cheirar, provar e sentir. Acima de tudo, sentir. Aquilo que me causa uma sensação boa, ruim, que me faz ficar com calor ou com frio, que me dá arrepios...

Acredito apenas que existe uma coisa que não podemos controlar: o rumo das outras pessoas e a passagem delas por nossas vidas. Tudo podemos determinar como será, nosso futuro, nossas escolhas, nossas vontades, nosso destino. Mas o rumo de quem passa por nossas vidas não está sob nosso controle. Por isso, tento aproveitar ao máximo o aparecimento de cada pessoa que está no meu caminho.

Sempre serei a melhor pessoa, sempre serei atenciosa, sempre terei carinho e atenção, sempre me entregarei de corpo e alma. Porque cada pessoa é especial e única, e o único motivo que consigo entender para que cada um cruze nosso caminho é porque trará algo pra nossa vida, e sempre será bom, no final das contas. E que nem sempre todas as pessoas ficarão e poderão se interligar mais vezes com o nosso, mas seus caminhos poderão tomar novos rumos... Mas só uma passagem pode ser suficiente pra que ele mude completamente.

9 de setembro de 2008

Tempos modernos

A gente se esforça
A gente se cansa
Trabalha, trabalha e trabalha
Corre atrás do que é nosso de direito

Direito...?
O torto que é não tão certo não é mais garantido...?
A gente se mata, a gente se faz.
E quem valoriza? Só a gente mesmo...
Porque quem gosta do que a gente faz é a gente mesmo.

Não gostar do que faz é o primeiro passo pra derrota.

1 de setembro de 2008

Salto alto. Batom, blush, rímel. Escova, chapinha. Tudo certo, ela está linda. Porém, só para mais um dia de trabalho. Ela não consegue mais viver sem parecer impecável. Pega suas coisas e segue para o caminho que todo dia.

É independente: mora sozinha, trabalha num lugar legal, tem seu carro... Mas está solteira. Já passou por todas as fases: raiva, culpa, aceitação. Agora vivia simplesmente a indiferença. Sempre que sai, pode ficar com alguém, mas nunca é Alguém. Pode até durar mais que uma noite, mas ela tem se importado tão pouco com isso...

Agora sua vida é outra: sua carreira cresce de maneira meteórica, ela junta dinheiro para agora poder viajar e realizar o sonho de sua vida: viajar pelo mundo. Mas agora apenas sai para trabalhar; gosta muito de sonhar, mas precisa manter seus pés no chão para tornar seu grande sonho realidade.

A caminho do trabalho. Trânsito. Aproveita para checar a maquiagem. Retoca o batom; o celular toca. É sua afilhada. Não, ela não é tão velha assim, é a irmã mais nova de sua melhor amiga. A menina, agora uma mulher com 22 anos, a considera como mais uma irmã. Novidades: ela está grávida. Não tem como não ficar feliz, é como se ela mesma fosse ganhar um sobrinho.

E a gravidez traz uma alegria tão bonita... Dá os parabéns, pede para deixá-la a par de todas as novidades em relação ao bebê. Ela está feliz. Mas não sente assim. Por quê? Ela tem 35 anos. É bonita, independente, tem um trabalho legal, mora sozinha... Mas está solteira. Sua afilhada está grávida. E ela sente que dali não passará.

Qual será seu futuro? Qual o sentido de sua vida, de todo seu sucesso, se não tem ninguém para quem deixar tudo o que conseguir? Mas... ela precisa deixar algo para alguém? Ela viveu, aproveitou, e não se arrepende de nada.

Tem sim algo para deixar; pode ajudar sua tão querida afilhada a cuidar desse bebê que vem a caminho. Ela não precisa ser mãe, ela pode sim aproveitar seus 35 anos bem vividos na Europa e quando voltar (e se voltar), um dia, ter seu filho também. Enquanto isso, leva sua vida.

Está divina. Uma mulher tão bem disposta assim às nove da manhã é de impressionar qualquer um. E tudo isso simplesmente porque ela tem muita vida para viver.